terça-feira, 5 de maio de 2009

Crônica aguda

Todos nós somos cronistas em potencial, porque todos temos histórias para contar. O problema é que nossas histórias são muito ruins, sem graça mesmo, e elas geralmente não prendem a atenção do amigo leitor. Então, mentimos.

Repare que os bons cronistas sempre falam de coisas da infância distante - o pé de manga na Rua Jaboticabal, o passarinho que conversava com ele no quintal de casa, os bolinhos de chuva em dias de chuva. Isso na verdade é uma estratégia de marketing, pois cria um vínculo com o leitor de crônica, que geralmente conversa com passarinhos e come bolinho de chuva com o guarda-chuva aberto dentro da cozinha. Todo cronista é um Duda Mendonça em potencial.

Mas nós somos cronistas em potencial, ou seja, nada. Vamos escrever sobre o quê? Sobre a Virada Cultural? Já chega. Eu fui, vomitei no Arouche, meu tio, e voltei pra casa. Acabou.

Repare que os bons cronistas sempre falam de coisas do cotidiano - dos eventos culturais da cidade, da política, das enchentes (eles gostam de chuva). Tudo isso para ganhar tempo. Ou você acha que eles escrevem por prazer?

Mas nós somos cronistas em potencial.

- Boa tarde! - disse a todos do escritório, em meu primeiro dia de trabalho.
- ...
- Boa tarde. - disse a todos do escritório, em meu segundo dia de trabalho.
- ...
- Oi. - disse a todos do escritório, em meu terceiro dia de trabalho e nos demais que se seguiram.
- ...
- Vão tomar nos vossos cus! - disse a todos do escritório, em meu último dia de trabalho.
- Vai você! - respondeu o do canto.

Taí o tema para uma crônica. Pegue agora uma cola bastão, uma cartolina e uma tesoura sem ponta. E enfia tudo no cu, seu filho da puta. Boa tarde e boa crônica.

3 comentários:

  1. Eu entendi bem, Pedro? "Foi um prazer" enfiar a cola bastão, a cartolina, a tesoura sem ponta e a crônica...?

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  2. Essa foi a sua interpretação maldosa.

    Eu não posso simplesmente agradecer e dizer que foi prazeroso ler essa crônica aguda?

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